Na galeria de escolhas com as quais nos deparamos, a vida se deixa contornar por mudanças contínuas. Estas se tornam ainda mais significativas durante os rituais de passagem de ano. Também nessa época, aspirações múltiplas fazem cintilar, no mais profundo do ser, sementes de promissoras metas, propósitos e sonhos.
A mitologia romana representa essa transição de um ano para outro na estátua de Jano, sentinela de dois rostos, imagem daquilo que foi e do que será: Jano olha, simultaneamente, para o passado e para o futuro.
Do termo latino “janu” provém o nome dado ao primeiro mês do ano, “januarius”, que hoje se codifica na palavra “janeiro”.
O começo de um ano novo certamente estimula o desejo humano de também possuir dois rostos. Poderíamos, assim, de um lado, olhar para o ano que termina, enquanto, com o outro rosto, contemplaríamos todas as possibilidades oferecidas pelo ano que se ergue, envolto em convicções e incertezas.
É preciso, entretanto, cuidar desse olhar lançado para trás, pois ele permite, no mínimo, dois movimentos.
Um deles consiste em tentar reviver o que se deveria ter abandonado. O outro é resgatar o que de bom se colheu, para trazê-lo ao presente e sobre ele alicerçar a renovação. No último caso, teremos nas mãos um verdadeiro tesouro.
Tesouros como esse, guardados a cada ano, fazem de nós poderosos observadores. Subimos neles para aumentar o alcance do olhar e vislumbrar o sol do ano nascente. Para ultrapassar as fronteiras do horizonte. Para descobrir que não há limites na luta pelo bem.
É precisamente nesse ponto da descoberta que se dá a metamorfose. Confiante, o rosto se vira para a frente. Lança uma esperança tão iluminada que faz brilhar uma nova trilha a desembocar no futuro – com propósitos, sonhos e realizações, promessas de novos tesouros. Vislumbramos um mundo melhor, com potencialidades e desafios. Esse plano de ação nos fortalece e nos deixa prontos para mais 365 dias.
Faça as malas, traga todos os seus tesouros... e tenha uma feliz mudança para mais um ano de Esperança!
Feliz 2026!
Maria Helena Sato (in "A Mulher de Lot")

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