Mostrar mensagens com a etiqueta Juergen Heinrich Maar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Juergen Heinrich Maar. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de abril de 2025

24 / Ainda de 2024, mais um livro do prolífico autor brasileiro Juergen Heinrich Maar: "150 Sonetos à Moda Antiga", ed. Officio, Florianópolis, Brasil, 2024

A grande arte do soneto tem em Juergen Heinrich Maar um interessado e rigoroso cultor, em que o "à Moda Antiga" do título nada tem de arcaico  (melhor dizendo, obsoleto). Pelo contrário, Maar, admirador confesso de fernando Pessoa e de Florbela Espanca, confere aos poemas uma certa intemporalidade que  tanto os remete para as grandes obras dos autores clássicos, como lhes dá a modernidade que se exige aos autores hodiernos. Desta obra, servida por cuidadoso trabalho editorial, aqui fica a nota e um dos sonetos (e outro, na contracapa).


Paisagem


A curva do caminho inda é o segredo
Apesar de brilhar ao longe o raio
Que incendeia a paisagem, com o medo
Esvaindo-se lentamente num desmaio.

Levam-no nuvens cinzentas bem cedo
Destilando solene a luz de maio
A curva do caminho num enredo
Abrindo de fantástico ensaio.

Todo um novo horizonte liberta
Os d«segredos da curva no caminho,
Que assim as notas cálidas desperta.

Suas sombras banhado de carinho
A que nada resiste nem perdura
E que envolve o segredo e o transfigura.


domingo, 2 de março de 2025

19 / Saído em 2024 no Brasil, mais um livro de Juergen Heinrich Maar: "Goethe e a Química", ed. Officio, Florianópolis, Brasil, 2024



Para os mais desatentos, a identidade de Goethe é apenas a de um grande poeta, uma das figuras cimeiras dessa arte, na vertente de língua alemã. Porém, o poeta foi interessado por por outras áreas, mormente a da Química, aqui também com elevado prestígio. Fazendo uso da sua elevada e simultânea erudição de químico e poeta, Juergen Heinrich Maar oferece-nos em "Goethe e a Química - Um ensaio histórico-químico" um historial muito bem documentado da actividade do autor de "Fausto". Trata-se de um dos três livros publicados em 2024 pelo autor, um deles já divulgado no T&T (post 14).


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

14 / Saído recentemente no Brasil, T&T tem o gosto de revelar "Conexões", de Juergen Heinrich Maar, ed. Officio, Florianópolis, Brasil, 2024




Já divulgado no T&T, o autor brasileiro e antigo professor universitário Juergen Heinrich Maar lançou novo livro em que a Química é sujeito. Conforme ele refere no prefácio, "Conexões" é um conjunto de 20 ensaios que "apresentam ao leitor episódios, geralmente pouco conhecidos, da história da Química e de áreas afins, devidamente inseridos num contexto histórico mais amplo" e nos quais "encontraremos conexões de algum tipo: conexões com outros episódios da história da Química, conexões do facto relatado com outras épocas, com outros lugares, com factos históricos aparentemente desligados do tema em discussão, conexões com aspectos ligados à literatura ou às artes".
Embora noutra perspectiva, esta obra de Maar, também poeta publicado, assemelha-se em certa medida à do matemático português Bento de Jesus Caraça. Ambos tornam ciências afins habitualmente tomadas pelo público como "difíceis" em agradabilíssima e proveitosa leitura, acessível a todos, mesmo àqueles que não se movem nas áreas referidas. Escrito num estilo coloquial, este livro é um exemplo maior de divulgação geral da ciência, ainda assim pleno de erudição.

Eis o sumário deste repositória de episódios químicos:

01 - Malthus, o senhor von Bleichroden e Sir William Crookes
02 - Do trapiche de Cumuruxatiba à Ópera de Viena e um sucesso de Hitchcock
03 - Ersatz
04 - Da cozinha ao laboratório e vice-versa
05 - Águas curativas - Lugares, Épocas, Curas?
06 - Ilhas e aves, belas cores e o guano alemão
07 - Ar de fogo, ar vital, oxigénio, passando pelo espírito nitro-aéreo
08 - A reacção mais importante - da Alquimia à Química
09 - Amargos aromáticos, gotas amargas
10 - As baleias do Desterro - As baleias da Química
11 - Quatro singelos materiais
12 - A cervejaria abandonada - Uma história sobre a Penicilina
13 - A Química e as florestas
14 - A ciência vai ao cinema
15 - O corante e o teatro
16 - Sementes, mudas e biopirataria ou as plantas também migram
17 - Flores para o coração
18 - Prenúncios de globalização no século XVI
19 - Vidros e espelhos, antigos e eternos
20 - Iquique, Antofagasta, Liverpool, Hamburgo ou o Ouro Branco dos Altiplanos

 
 

domingo, 19 de janeiro de 2025

8 / De "Vinhetas", de Juergen Heinrich Maar (Brasil), excerto do texto "Livros, ontem e hoje", ed. Officio, Florianópolis, Brasil, 2023


Acabo de ser presenteado com um livro de Química destinado ao ensino médio, não um livro didáctico, muito menos um livro de texto, mas um livro que quer mostrar de modo atraente as "maravilhas da Química" (não é o título do livro). A inesperada doação ressuscitou na memória  (daquela parte da memória já considerada como 'inútil') uma fieira de textos de química destinados à faixa etária que começa, mas vai além do ensino médio. É bastante sugestivo o estabelecimento de comparações, e, atrevo-me a dizê-lo, de uma geralmente não vista linearidade na evolução desses acúmulos de conteúdos.

Fui aluno, estudante  e professor de Química. Aluno no final da década dde 1950, estudante na década de 1960, professor desde a década de 1970 e historiador da Química desde a década de 1990. Quando fui aluno de colégio, o ensino superior ainda ostentava suas cátedras vitalícias, cujos poderosos tritulares na maioria das vezes indicavam do rolde seus assistentes os seus sucessores. Quando fui estudante, o ensino superior já vinha passando  por sucessivas mudanças, algumas para o bem, outras eram antes prejudiciais. Agora, aposentado e independente, perco-me ao pensar no cipoal [dificuldade] de todos esses papéis, normas, relatórios, propostas, minutas... falta ainda o necessário distanciamento cronológico para uma avaliação  (mais ou menos) isenta. Mas já se pode perceber que crescentemente a fiorma passou a ser mais importante que o conteúdo.

Mas estou me distanciando do assunto evocado pelo presente em forma de livro. De modo algum eu tinha em mente uma discussão ou tratado sobre livros didácticos de Química, seria pretensioso da minha parte, já não sou entendido no assunto. Não sou entendido, mas tenho opinião, e principalmente décadas de experiência. E pretendia tão somente registar (longe de mim avaliar) como eram esses livros em cada época que vivenciei: livros texto e outras obras didáticas,manuais e roteiros de experiências, alguma literatura para "despertar o interesse" pela ciência (não levando em conta, nessa tareefa inútil, o que cada um realmente queria, mais ou menos como no "meninas na ciência" de hoje).