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quarta-feira, 16 de abril de 2025

25 / Carlota de Barros (Cabo Verde), "Noite de lua cheia"


Noite de lua cheia                 


Tenho gravado nos meus olhos

O luar que me extasiou

Numa noite 

Em que a lua cheia 

Me seguiu

Calma e segura 

Pelos caminhos por onde ia.


Ó noite de lua cheia 

Tão calma ... tão bela...

Que ficaste gravada 

Nos meus olhos

Até adormecer.


E como é belo o luar 

Que tão naturalmente        

Nos fica nas mãos e na alma!


Ó doce lua cheia 

Tão calma tão bela

Que ficaste nos meus olhos 

Para sempre.

Que mistérios escondes 

Noite de lua cheia?

Ó noite de luar  

Noite de doçura  

Noite de mistério e luz


Como desejo ficar acordada 

Para contemplar

Docemente o luar 

Até brilhar a aurora!


E como é belo o luar

Nas minhas mãos 

Naturalmente calmo 

Naturalmente misterioso!


Ó lua cheia que enquanto 

Eu adormecia feliz

Me uniste ao luar e à noite 

Entre os mistérios da noite

E a doçura que o luar esconde! 


sábado, 25 de janeiro de 2025

12 / Carlota de Barros (Cabo Verde), "A rosa amarela"


A rosa amarela


A rosa amarela

Coroando-se de alegria

Nas manhãs de sol

Abre-se ao seu ardor


Um jovem caminhava

Solitarário ardendo de amor

Ao encontro da manhã.

De repente vê a rosa

Bela... aberta ao sol.

Fulgor de florir


Debruça-se e colhe-a.

Apelo da rosa amarela

Fremente de doçura

O jovem segura a rosa 

Mãos inocentes e alegres


E segue o seu caminho

A rosa apaixonadamente sua

E o jovem cantava

Acariciando a rosa

No ardor da manhã 


Seu coração arde  

A manhã brilha

À luz do sol

A rosa a luzir nas mãos do jovem.


Que direi mais da doçura

Do fulgor da rosa amarela

Antes que o jovem

Dela faça música?


Jovem e rosa descem 

Lentamente a colina

Falo agora de carícia

Ou só de memória de beijos?


Memória de beijos

O jovem desce a colina

Com sua rosa amarela.

Vai ao encontro do amor


Falo ainda da rosa amarela

Do jovem  de beijos  de ardor

De alguém que aguardava 

Apaixonadamente uma carícia

De seu amor sem saber 

Da doçura da rosa amarela 


Falo da memória de beijos

Da carícia da rosa amarela

Do ardor do jovem feliz

Da rosa amarela   agora 

Apaixonadamente música

Nas mãos de quem 

Aguardava o seu amor...



quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

3 / Carlota de Barros (Cabo Verde), "Silêncio, Pessoa quer dormir"

 

Silêncio!

                    Pessoa quer dormir


Encontrei na página de um

Livro de Poesias de Pessoa

A folha cor de vinho de recortes finíssimos

Que caíra a meus pés submissa e linda

Naquela tarde feliz de Outono


Doce folha que de novo me revelaste

O poema de Pessoa que me

Entrará na alma tão subtilmente!


[...]


“Cessa o teu canto!

Cessa, que enquanto

O ouvi ouvia

Uma outra voz

Como que vindo

Nos interstícios

Do brando encanto

Com que o teu canto

Vinha até nós”


[...]


Que canto seria este, Pessoa

Melodia que não havia

E se a lembras te faz chorar?


Essa voz, Pessoa

Encantamento

Silêncio que há a seguir

Ao canto

Alheio a ti

E a quem canta?


Ah o encantamento

Do canto que vem

A seguir a outro canto

Quem o cantou?

Quem te fez ouvir

Para além

Do que é o sentido

Que voz tem?


Vozes com sentidos opostos!

Ah! Minha folha cor de vinho

Talvez essa voz te tenha seguido

Até o Livro de Poesias

Nesta terra por onde

A alma de Pessoa divaga

Sem saberes que o fazias


Será que também provocaste em mim

Esse encantamento do canto

Que vem a seguir a outro?

Estou a ouvir esse canto

Para além do sentido

Que a voz tem!  


Mas quem a teria cantado?

Quem teria provocado em Pessoa

Esse encantamento

Que a mim também me encanta?


Porém Pessoa queria

O silêncio para dormir

E eu desejo tanto o silêncio

Para descansar!


Cessa teu canto!

Cessa!

Vem minha folha

Marca este poema de Pessoa

Que hoje reencontrei!


Um dia quero ouvir de novo


Esse canto que vem a seguir

A outro canto e encanta

Agora, silêncio!

Pessoa quer dormir

E eu desejo tanto descansar...