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sábado, 20 de setembro de 2025

39 / Solange Firmino (Brasil), "Enseada de Junho"


Enseada de Junho


Não sei se amo mais o marujo, o vento

ou a maré que traz a desordem da espuma.

O cais inabitado é uma metáfora a decifrar

o silêncio do inverno.


Os barcos velhos ancorados, as velas rotas recolhidas

fazem pensar que só buscavam um porto de abrigo.

Até as aves marinhas alteram seus rumos.

Adio para amanhã mais uma tormenta.


Ao entardecer, percorro a orla da praia.

Espero a lua se acender no mar.

Só os uivos comovidos dos cães

me fazem companhia agora.


Foto Joaquim Saial

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

11 / Solange Firmino (Brasil), "Indecifrável"


Indecifrável


Eu me repito.

Colo post-it por aí

para não esquecer datas.

Atravesso a idade já gasta

comprando um espelho novo.

Vejo poesia em tudo,

procurando o traço ressonante.


Sou transparente,

mas ninguém nada sabe

sobre mim.

E sempre me repito.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

5 / Solange Firmino (Brasil), "Despertar"


Despertar


É preciso transgredir a distração da flor em gestação,

tocá-la infinitamente,

sorver-lhe o perfume,

soprar a gota de orvalho pousada em cada cor,

inventar um arco-íris

pelas arestas do vento,

abrir caminhos para a primavera.


A sombra se faz luz,

o inverno se desfolha.

Como se existisse um tempo das estações,

a primavera dá sinais,

despida das névoas,

como se fosse a primeira vez.

Foto Joaquim Saial